Cenário Macro Atual
O deslocamento para cima da curva de juros nos EUA foi o grande pano de fundo dos mercados em setembro. Com sinais adicionais de fortaleza no crescimento global e de pressão continuada sobre os custos de energia, o movimento rumo a um equilíbrio com juros mais altos responde tanto à percepção de maiores juros neutros quanto à necessidade de conter as pressões inflacionárias latentes. O mês foi rico em eventos de política monetária que reagiram a esse ambiente complexo. Ao mesmo tempo, os níveis historicamente altos alcançados pelos juros longos começam a trazer trade-offs mais relevantes para a formulação de política econômica.
Entre os novos dados disponibilizados ao longo do mês, reforçou-se o sinal positivo da demanda global, a despeito da situação geopolítica atual. Destacamos os números finais do PIB do 2T26 e a evolução dos gastos pessoais até agosto nos EUA, assim como os últimos PMIs e alguns indicadores de confiança e do mercado de trabalho na Zona do Euro. Por outro lado, ainda são relativamente fracos os sinais de que os preços elevados de energia estejam se disseminando de forma generalizada para outros produtos e serviços em boa parte dos grandes blocos econômicos. Um grande exemplo disso tem sido a melhora na dinâmica do núcleo inflacionário nos EUA.
De qualquer forma, há uma assimetria para cima nos riscos inflacionários e uma percepção de que os juros neutros podem ser maiores, o que justifica o movimento ocorrido nas curvas de juros. Ressaltamos que essa reprecificação foi acompanhada de uma dinâmica ainda benigna no mercado acionário, a despeito de ter ocorrido ao longo de toda a curva, e não apenas nos segmentos mais curtos. Além disso, os movimentos das curvas nos EUA e na Zona do Euro foram essencialmente concentrados nos juros reais e pouco alteraram as inflações implícitas, que ainda se encontram em níveis condizentes com as metas. No entanto, como o movimento de alta dos juros foi mais agressivo nos EUA, observamos um fortalecimento mais generalizado do dólar, em um ambiente de maior volatilidade implícita em juros e câmbio. Esse cenário reduziu a atratividade relativa das moedas emergentes e aumentou a vulnerabilidade desses ativos a novos movimentos de aversão a risco e à continuidade da reprecificação das taxas de juros globais.
Concomitantemente a esses movimentos nos fundamentos, a atuação dos bancos centrais dos EUA (Fed) e da Zona do Euro (ECB) também foi relevante durante o mês. As decisões de alta de juros tanto pelo Fed como pelo ECB vieram acompanhadas de um conjunto de projeções e de comunicações que deixaram clara uma reação incisiva aos riscos inflacionários. Assim, boa parte do movimento nas curvas de juros foi guiada pela sinalização hawkish desses bancos centrais.
Nesse sentido, também chamou a atenção a reação contrária ocorrida posteriormente: diante de dados mais favoráveis de inflação na margem (no caso dos EUA) e do aumento significativo dos juros longos, tanto o Fed como o ECB sinalizaram, cada um à sua maneira, uma estratégia de cautela e de altas de juros espaçadas, o que acabou revertendo parte do movimento de alta nas curvas. Isso mostra que esses bancos centrais começam a enfrentar trade-offs mais relevantes em suas decisões.
Por fim, observamos também, em setembro, movimentos importantes ligados a outros bancos centrais. Na Europa, o BoE (Reino Unido) preparou o terreno para iniciar um processo de alta de juros tardiamente — diante da desancoragem das expectativas de inflação segundo o mercado de renda fixa —; o CNB (República Tcheca) decidiu pela manutenção, mas indicou condicionantes que muito provavelmente levarão à continuidade da alta de juros; e o NBP (Polônia) já dá sinais de que avaliará um início de alta de juros na próxima reunião. Destacamos também o SARB (África do Sul), que confirmou as expectativas de mercado com uma segunda alta de 25 bps neste ano, mas que, por meio de comunicação, projeções e cenários alternativos, sinalizou moderação nos movimentos futuros. Na América Latina, o BCCh (Chile) explicitou um balanço de riscos equilibrado (entre atividade fraca e preços de energia subindo) e uma trajetória estável de juros; o Banxico (México) manteve os juros mais uma vez, mas alterou a comunicação de forma a ficar mais dependente dos dados, ao mesmo tempo em que reforçou que não deverá seguir de forma mecânica os movimentos do Fed; e o BCB (Brasil) seguiu cortando juros ao ritmo de 25 bps, sem adicionar elementos novos, ficando dependente de dados e projeções para avaliar novos cortes. No caso do Brasil, a dinâmica da curva de juros continua sendo afetada pela aproximação das eleições e sinais de maior acirramento na disputa presidencial: à medida que isso tem se traduzido em maior probabilidade de compromisso com ajustes fiscais à frente, houve recuo nos juros reais longos.
Posicionamento Família Total | Multimercados
Opp Total FIC FIM | Opp Total Evolution FIC FIM | Opp Market FIC FIM
Opp BTG Previdência FIC FIM | Opp Icatu Previdência FIC FIM
No Brasil, mantivemos posição comprada em NTN-Bs, bem como uma exposição seletiva em ações domésticas, priorizando empresas que aliam potencial de valorização em um cenário de fechamento da curva de juros a níveis atrativos de carrego. Na curva de DI, temos operado com viés aplicador no trecho intermediário, com tamanho sensível ao nível de prêmio observado.
No exterior, mantivemos alocação em uma seleção de empresas que englobam os setores de semicondutores, serviços financeiros e mídia. Entre as estratégias mais cíclicas, tivemos ganhos em posição vendida em euro e dólar canadense contra o dólar e prejuízos em posição aplicada no juro mexicano, ambas já encerradas.
Família Income | Renda Fixa Ativa
Opportunity Income FIC FIF RF LP RL
Nas posições aplicadas, mantivemos juros reais longos no Brasil, assim como juros nominais no México, na África do Sul e na parte intermediária de Brasil. Adicionamos uma posição comprada em USDMXN como hedge parcial para juros no México, assim como posição vendida (via opções) em USDBRL. A posição tomada em juros nos EUA foi mantida. As posições relativas – aplicado no Reino Unido vs. tomado na Zona do Euro, e steepening da curva em Polônia – foram encerradas.